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sexta-feira, 20 de maio de 2011

   Nascido em Setúbal a 15 de Setembro de 1765, Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage foi um grande poeta português, talvez, segundo as minhas fontes,o maior do arcadismo lusitano, embora tenha estado presente no fim do periodo clássico, principio do romântico, e prenunciou-se a alto e bom som pois predomina até hoje como um magnifico poeta. Com isto dito acho que seria uma ofensa ao artista falar mais dele enquanto ele escreveu o seu auto-retrato, mais que óbvio que não é uma biografia mas uma biografia de um artista não tem o mesmo significado que teria se tivesse sido escrita pelo mesmo. Em baixo apresento três dos que eu acho serem alguns dos seus poemas mais curiosos. Desde já que aviso que os poemas podem ter vocabulário que alguns de voz poderão achar ofensivo.

Proposição das rimas do poeta

Incultas produções da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e não louvores:

Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores:

E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns cuja aparência
Indique festival contentamento,

Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.

Auto-retrato Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno, 
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura, 
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,
Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.
A Água
Meus senhores eu sou a água que lava a cara, que lava os olhos que lava a rata e os entrefolhos que lava a nabiça e os agriões que lava a piça e os colhões que lava as damas e o que está vago pois lava as mamas e por onde cago.

Meus senhores aqui está a água 
que rega a salsa e o rabanete 
que lava a língua a quem faz minete 
que lava o chibo mesmo da raspa 
tira o cheiro a bacalhau rasca 
que bebe o homem, que bebe o cão 
que lava a cona e o berbigão.

Meus senhores aqui está a água que lava os olhos e os grelinhos que lava a cona e os paninhos que lava o sangue das grandes lutas que lava sérias e lava putas apaga o lume e o borralho e que lava as guelras ao caralho
Meus senhores aqui está a água que rega rosas e manjericos que lava o bidé, que lava penicos tira mau cheiro das algibeiras dá de beber ás fressureiras lava a tromba a qualquer fantoche e lava a boca depois de um broche.

Fontes dos poemas:

"Auto-retrato" - http://cvc.instituto-camoes.pt

"Proposição das rimas do poeta" - http://poemasdomundo.wordpress.com

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