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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Poema do Imigrante

TENHA ORGULHO DE SEUS HUMILDES ANTEPASSADOS


São as pessoas humildes que eu procuro, 
O sal da Terra, por assim dizer, 
Aqueles que domaram o solo bruto, 
E fizeram nele as sementes florescer. 
São estes que eu gosto de encontrar, 
Quando mergulhada na estrada da genealogia. 
E é apenas por orgulho que me deixo levar, 
Refazendo seus passos para assim os imortalizar. 
Aqueles que buscam o passado com sonhos de glória, 
De encontrar heróis educados em cada história, 
Não devem jamais se desapontar 
Ainda que descobrirem que os humildes bisavós ou tataravós
Tinham somente as estrelas para contemplar.

G. McCoy 
Source: The Sunny Side of Genealogy, 
compiled by Fonda D. Baselt, 
Genealogical Publishing Co., Baltimore, 1988, p.10 
(tradução livre e não autorizada: Lea Beraldo) 
Não copie sem citar estas fontes

quarta-feira, 25 de maio de 2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

   Nascido em Setúbal a 15 de Setembro de 1765, Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage foi um grande poeta português, talvez, segundo as minhas fontes,o maior do arcadismo lusitano, embora tenha estado presente no fim do periodo clássico, principio do romântico, e prenunciou-se a alto e bom som pois predomina até hoje como um magnifico poeta. Com isto dito acho que seria uma ofensa ao artista falar mais dele enquanto ele escreveu o seu auto-retrato, mais que óbvio que não é uma biografia mas uma biografia de um artista não tem o mesmo significado que teria se tivesse sido escrita pelo mesmo. Em baixo apresento três dos que eu acho serem alguns dos seus poemas mais curiosos. Desde já que aviso que os poemas podem ter vocabulário que alguns de voz poderão achar ofensivo.

Proposição das rimas do poeta

Incultas produções da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e não louvores:

Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores:

E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns cuja aparência
Indique festival contentamento,

Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.

Auto-retrato Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno, 
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura, 
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,
Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.
A Água
Meus senhores eu sou a água que lava a cara, que lava os olhos que lava a rata e os entrefolhos que lava a nabiça e os agriões que lava a piça e os colhões que lava as damas e o que está vago pois lava as mamas e por onde cago.

Meus senhores aqui está a água 
que rega a salsa e o rabanete 
que lava a língua a quem faz minete 
que lava o chibo mesmo da raspa 
tira o cheiro a bacalhau rasca 
que bebe o homem, que bebe o cão 
que lava a cona e o berbigão.

Meus senhores aqui está a água que lava os olhos e os grelinhos que lava a cona e os paninhos que lava o sangue das grandes lutas que lava sérias e lava putas apaga o lume e o borralho e que lava as guelras ao caralho
Meus senhores aqui está a água que rega rosas e manjericos que lava o bidé, que lava penicos tira mau cheiro das algibeiras dá de beber ás fressureiras lava a tromba a qualquer fantoche e lava a boca depois de um broche.

Fontes dos poemas:

"Auto-retrato" - http://cvc.instituto-camoes.pt

"Proposição das rimas do poeta" - http://poemasdomundo.wordpress.com

domingo, 13 de fevereiro de 2011

As Tripas á moda do Porto

  As Tripas á moda do Porto é, obviamente, um prato tipico do Porto, é um prato muito curioso pois a sua historia remota a época dos descobrimentos.
  O prato surgiu quando em 1415 o Infante D.Henrique, precisando de abastecer as Naus para a tomada de Ceuta, comandada pelo Rei D. João I, pediu á populaçao do porto para fornecer todo o tipo de carnes  conservando-as em sal, para que ficassem em boa condição durante a expedição. Este acontecimento levou a que o povo do Porto fica-se apenas com as miudezas e as tripas, forçando os portuenses a criar alternativas para a sua alimentaçao e assim surgiram as "Tripas á moda do Porto" prato que permanece até hoje como um dos pratos mais caractristicos na gastronomia do Porto. Prato de tal forma caractristico que desde então deu aos portuenses a sua alcunha de tripeiros.



Tripas à Moda do PortoDo Livro - Cozinha Tradicional Portuguesa
Da Editorial Verbo




Ingredientes:
Para 10 pessoas
  • 1 kg de tripas de vitela (compreendendo livros ou folhos, favos e a touca)
  • 1 mão de vitela
  • 150 grs de chouriço de carne
  • 150 grs de orelheira
  • 150 grs de toucinho entremeado ou presunto
  • 150 grs de salpicão
  • 150 grs de carne da cabeça de porco
  • 1 frango ou meia galinha
  • 1 kg de feijão manteiga
  • 2 cenouras
  • 2 cebolas grandes
  • 1 colher de sopa de banha
  • 1 ramo de salsa
  • 1 folha de louro
  • sal
  • pimenta
Confecção:
Lavam-se as tripas muito bem e esfregam-se com sal e limão.
Cozem-se em água com sal.
Limpa-se a mão de vitela e coze-se.
Noutro recipiente cozem-se as restantes carnes e o frango.
Estas carnes retiram-se à medida que vão estando cozidas.
Coze-se o feijão, que já está demolhado, com as cenouras às rodelas e uma cebola aos gomos.
Pica-se uma cebola e «estala-se» numa colher de banha.
Juntam-se todas as carnes cortadas em bocados (incluindo as tripas, frango, enchidos, etc.).
Deixa-se apurar um pouco e introduz-se o feijão.
Tempera-se com sal, pimenta preta moída na altura, o louro e a salsa.
Deixa-se apurar bem.
Retira-se a salsa e serve-se em terrina de porcelana ou de barro, polvilhado, segundo o gosto, com cominhos ou salsa picada e acompanhado com arroz branco seco.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

José Carlos Pereira Ary dos Santos

  O poema que abaixo apresento é de José Carlos Pereira Ary dos Santos, um grande poeta que na minha opinião deveria ser muito mais falado pois,- e volto a citar- na minha opinião, é um poeta que escreveu poemas fenomenais. Para os interessados a sua biografia está no Wikipédia. Apenas digo que o escritor tem muitos poemas magníficos que depois de o senhor falecer terão sido adaptados para musicas, um dos quais aqui vou apresentar abaixo, juntamente com com um link da interpretação musical de Mafalda Arnauth, uma das fadistas que mais admiro.


Cavalo á Solta 

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve, breve
instante da loucura

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura


Poema retirado de: http://www.luso-poemas.net/


Interpretação por Mafalda Arnauth: http://www.youtube.com/watch?v=4c3O1lEXhKo

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A História da Guitarra Portuguesa


 Na origem directa do nossa guitarra encontra-se um modelo de Cítara europeia conhecido em Portugal desde o século XVI, filiado na Cítola medieval e referido em várias fontes literárias e representações iconográficas.

Entre as mais conhecidas encontra-se a descrição de Garcia de Resende (cronista, cantor e músico), na “Hida da Princeza D.Beatriz para Sabóia,” relatando uma situação ocorrida em 1521, na qual uma cítara e três violas de arco são embarcadas no navio que transporta a princesa, a de Jorge Ferreira de Vasconcelos (1515-1585) , incluída no rifão popular: “palavras sem obras, cíthara sem cordas...” (Comédia Eufrosina, 1543) e a de Frei Phillipe de Caverel (cronista da embaixada papal que visitou o nosso país em 1582), texto no qual são sumáriamente descritos os instrumentos musicais conhecidos dos portugueses da época.
No século XVII, as referências mais interessantes ao uso da cítara entre nós dizem respeito à comunidade clerical, com a conhecida notícia sobre Frei João de S.José Queiroz, clérigo de Barcelos e grande tocador de cítara e com a magnífica escultura em barro polícromo do Retábulo da Morte de S.Bernardo do Mosteiro de Alcobaça (c.1680), a mais importante e detalhada fonte para o estudo da cítara barroca em Portugal.
Além destas fontes foram conhecidos em Portugal os tratados de Michael Praetorius (1619), de Marin Mersenne (1639) e de Athanasius Kircher (1650), todos com capítulos especialmente dedicados ao estudo da cítara europeia, descrevendo afinações, tecendo considerações de ordem técnica e musical e comentários sobre a cotação social do instrumento e dos seus utilizadores.

Em São Paulo, no Brasil, a cítara aparece referida no inventário de Francisco de Leão, realizado em 1632, no qual se indica também que o instrumento, importado de Portugal, custou 480 reis.
No Catálogo da Livraria Real de Música de D.João IV, publicado em 1649, encontramos alguns dos mais importantes livros estrangeiros de Cítara publicados na época, bem como um livro contendo “obras para Cíthara, escritas de mão”, presumivelmente português, infelizmente perdido no Terramoto de 1755.
No início do século XVIII (1712-1715), temos a indicação numa carta de Ribeiro Sanches (famoso cirurgião, cristão-novo e filósofo) de que “meu pai me mandou para a Guarda para aprender a tocar cítara”, facto que atesta a existência de cultores do instrumento também no interior do país. Também temos a notícia nos “Desagravos do Brasil”, (B.N.Ms. B16.23) sobre o Padre João de Lima que tocava na perfeição os instrumentos de corda, tais como: Viola, Cíthara, Theorba, Harpa, Bandurrinho e Rabeca.
O Diccionário de.Rafael Bluteau, reformado e acrescentado por Morais e SIlva e publicado em Lisboa em 1789, refere a cítara como “instrumento músico de braço mais longo que a viola, com cordas de arame, e trastos de latão.huns inteiros e outros té meia largura do braço”, mostrando que entre nós ainda se usava o modelo antigo, com distribuição irregular do trasteado.
Em 1795 é publicado o “Estudo de Guitarra” de António da Silva Leite e nele é mencionada a cítara, a par de outros instrumentos indicados pelo autor como sendo próprios para o acompanhamento musical do canto ou de solos instrumentais.
Este tratado é totalmente dedicado à “Guitarra Inglesa”, instrumento que tendo origem na cítara alemã (que os autores franceses designavam por “Guitare Allemande”) introduzida em Inglaterra no início do século XVIII , tem todavia características muito diferentes da cítara/guitarra portuguesa .
A leitura superficial desta obra tem conduzido alguns autores (com grande responsabilidade no meio musicológico português), a erros grosseiros na determinação das origens da guitarra portuguesa, assumindo estes, sem qualquer justificação organológica, a filiação da nossa guitarra num instrumento com número de cordas, afinação, técnica e estrutura interna totalmente diferente.
A partir do século XIX, apesar de continuarem a ser referidos em diccionários literários e musicais como dois instrumentos distintos (Diccionário de Fonseca e Roquete, 1848, Diccionário de Eduardo Faria, 1849, Diccionário de F.Fétis / José Ernesto d’Almeida, Porto, 1858) a cítara e a guitarra tendem a confundir-se sob mesma designação, vindo gradualmente a “guitarra portuguesa” a adoptar elementos acessórios de um e outro instrumento (p.ex. o cravelhal em chapa de leque).
A desqualificação social da cítara é um facto, referido desde o início do século XIX , (p.ex. em 1820, um tal Manuel Raimundo, mulato, foi preso na Calçada de Santana , em Lisboa , por estar “tocando em uma Cytara numa loja de louça que também vende aguardente” ) e esta situação tornou-a o instrumento ideal de acompanhamento do fado, canção então em voga em meios marginais dos bairros pobres da cidade de Lisboa.
No entanto e sob a nova designação de Guitarra Portuguesa, esta vai sendo gradualmente reabilitada até chegar novamente aos salões burgueses e aos palácios da aristocracia na segunda metade do século.
Na década de setenta já a Guitarra se apresentava em sessões de concerto (Casino Lisbonense, 1873), bem como era obrigatório o seu uso no acompanhamento do fado, entretanto popularizado de norte a sul do país, através dos tocadores e cantadores ambulantes que frequentavam as principais feiras e romarias.
No primeiro quartel do século XX, a guitarra portuguesa coexistia nas zonas interiores do país, no mundo rural, com a chamada “cítara campeira”, designação do tipo de guitarra de pinho com cravelhal em espátula e cravelhas de madeira que acompanhava os recitadores do fado de cordel tão abundante nas nossas feiras. Segundo testemunhos recentes recolhidos por mim na Beira Alta e em Trás-os-Montes, estes tipos mais arcaicos sobreviveram até aos anos 30, nas mãos de moleiros e de artesãos carpinteiros que, nas horas vagas e em dias de festa, reuniam à sua volta verdadeiras tertúlias de poetas-cantadores de fados e romances, improvisando também cantos ao desafio.
Com o incremento do fado e das guitarradas, promovido pelas companhias de discos e de gramofones na década 20/30 e a sua subsequente difusão por todo o país através da rádio (a partir de 1935), a Guitarra Portuguesa tornou-se um instrumento ainda mais presente nos conjuntos instrumentais próprios das funções de baile, nas rusgas do Minho, nas rondas da Beira Alta, em grupos do Douro e de Trás-os-Montes, reforçando o timbre estridente das violas de arame e apoiando o acompanhamento harmónico dos violões.
Mas é certamente nas grandes cidades que a Guitarra atinge a sua cotação mais elevada, com a associação ao fado amador dos estudantes de Coimbra e nas mãos dos mais talentosos guitarristas profissionais do fado de Lisboa.
Da década de 40 até hoje, pouco se fez para modificar os aspectos essenciais da construção da Guitarra, verificando-se no entanto uma gigantesca evolução nas técnicas de execução e no reportório, o qual passou das simples “guitarradas” acompanhadas à viola, para verdadeiros solos de concerto e peças orquestrais com a guitarra em posição solística de destaque.
Assistimos mesmo, a partir da década de 70, a verdadeiras incursões pela música erudita contemporânea, com utilização pontual de meios electro-acústicos e de manipulação electrónica dos sons da Guitarra Portuguesa.

@ Pedro Caldeira Cabral 2006
Actualizado em ( 30/09/2007 )


sábado, 22 de janeiro de 2011

Cozido á Portuguesa

 Eu acho que é impossível falar de gastronomia portuguesa e não falar neste prato delicioso que o nosso Portugal tem á séculos. A receita, com o passar do tempo tem mudado mas, ao mesmo tempo continua igual ao que sempre foi.
 A historia deste prato é bastante simples, antigamente os mais pobres não pussuiam muito dinheiro, como é óbvio, a solução para aproveitar as sobras era por tudo numa panela e cozer até se apurar uma refeição com bastante consistência com fim de lhes dar energia e, provavelmente, aquecerem-se um bocadinho nos dias mais frios. No entanto os mais abonados também apreciavam o prato apesar da sua simplicidade.
 Nos dias de hoje esta linda tradição é saboreada por todas as classes sociais. Mas, apesar desta tradição portuguesa, os seus ingredientes variam, consoante a zona em que é cozinhada. Apesar desse pormenor apresento-vos uma receita que contem uma grande diversidade de ingredientes e por isso achei ser a mais englobante.

Bom proveito



Cozido á Portuguesa


Ingredientes:
  • carne de vaca para cozer;
  • meia galinha;
  • 1 pé de porco, entrecosto, chispe;
  • presunto, chouriço, farinheira, salpicão;
  • toucinho salgado, bacon;
  • orelheira fresca e fumada;
  • couve portuguesa (penca) ou coração;
  • cenouras, batatas, nabos;
  • sal e azeite
Confecção:

Numa panela grande coza em água todas as carnes.
Aquelas que forem salgadas devem ficar de molho umas horas, só depois se podem pôr a cozer.
Regue a água da cozedura com um fio de azeite e tempere a gosto.
Por ordem de cozedura mais rápida, vão-se tirando os enchidos, depois as carnes de porco, e só no fim, depois de bem cozida, a carne de vaca.
Nesta água de cozer as carnes, meta os legumes já mencionados no início.
Quando cozidos, retire a panela do lume, deixando os legumes dentro.
Para servir, corte as carnes, disponha numa travessa com os respectivos legumes.
Acompanha feijão branco cozido, cozido na água dos legumes, e arroz de forno ou branco.